Fazer moda em dois pedaços pequenos de pano. É esse o desafio de marcas que trabalham com moda praia e desenham biquínis que se tornam desejo no Brasil e no mundo. O duas-peças completa 65 anos neste mês e não é mais o símbolo da libertação feminina, mas de uma mulher confortável em sua própria pele, com a ajuda da tecnologia.
Desde que foi criado, em 26 de junho de 1946 pelo estilista Louis Reard, o biquíni já teve formatos caretas e escandalosos. "Hoje, o que importa é conforto. A mulher quer se sentir relaxada, autêntica", conta Benny Rosset, da Cia. Marítima. A marca estreou na Fashion Week em 1998. "Com muita dificuldade", diz, "porque biquíni não era visto como moda, mas algo amador"
A evolução de patamar teve dois grandes propulsores. O primeiro foi a tecnologia de tecidos e estampas, que deixou as peças mais atraentes. "Com a estamparia digital, colocamos milhões de cores num top", explica Rosset. Ao São Paulo Fashion Week (SPFW) Rosset levou uma coleção inspirada nos anos 1970, mas atualizada com pequenos detalhes, como franjas. Caftãs, minivestidos e shortinhos completavam o pós-praia.
O segundo momento da moda praia foram top models como Gisele Bündchen, que serviam como telas curvilíneas e bronzeadas a peças mais bem elaboradas. Assim, o Brasil entrou no mapa-mundi da beachwear. Amir Slama, criador da Rosa Chá, diz que "o mundo olha para o Brasil quando pensa em moda praia". "Sabemos criar biquínis chiques, sem ser exagerados."

Renato Thomaz, diretor de marketing e filho da criadora da Água de Coco, atribui essa capacidade de vestir bem o corpo feminino à miscigenação. "Essa bagunça étnica deixou a figura da brasileira muito interessante para vestir", diz. A estilista da Água de Coco, Liana Thomaz, levou formas geométricas e cortes inusitados às passarelas da SPFW. Combinou rosa e laranja e apostou em estampas, alças de fios de ouro e decotes.
Postado Por:Daniel Filho de Jesus
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