Você, leitor, acredita que o município de Baraúna, vivendo o pior momento da sua história com o entra-e-sai de prefeito (são 14 mudanças em 11 meses), ganhou novos habitantes nesse período de extrema turbulência?
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sim.
Pesquisa publicada pelo órgão revela que Baraúna ganhou 452 novos moradores entre 2013 e 2014.
Observe que esse crescimento populacional se deu no espaço de tempo que os próprios moradores do município, em grande escala, desejavam sair da cidade por não suportar a crise político-administrativa; daí, sem querer colocar sob suspeita o trabalho do IBGE, é difícil acreditar na soma dos números.
E, certamente, nenhum habitante de Baraúna acredita na chegada de novos “conterrâneos”, mesmo levando em consideração a presença da fábrica de cimento da Mizu, que há dois ou três anos emprega gente.
Quem sabe, o IBGE não encontrou moradores que o instituto havia perdido no Censo de 2010, até porque a justificativa para a mudança populacional, de que de 2013 para 2014 ocorreram alterações dos limites territoriais, não se aplica em Baraúna, que não sofreu qualquer mudança.
Se a desconfiança com Baraúna salta os olhos, a mesma coisa se aplica em Mossoró.
O IBGE afirma que a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte tem 284.288 pessoas, quando o cenário populacional parece ser bem maior.
O boom habitacional aponta para números bem acima dos revelados pelo instituto, embora não seja possível afirmar, de concreto, se o patamar subiu mais do que o alcançado pelo órgão.
Aliás, essa não é a primeira vez que a população de Mossoró anunciada pelo IBGE sofre questionamento. No início da década de 90, a então prefeita Rosalba Ciarlini não aceitou o resultado do Censo, por entender que os números estão aquém da realidade.
Naquela época, o crescimento da cidade já era bem acelerado. Questionou-se, inclusive, que o órgão mexia com o mapa populacional para atender interesses do Tesouro Nacional na divisão do bolo financeiro.
Como se sabe, a distribuição de algumas fontes de receita dos municípios, via União, é feita conforme o número de moradores. O Fundo de Participação dos Municípios (FPM), o principal deles, divide a cota em categorias, chamadas de coeficientes, que são formadas de acordo com a massa populacional. Se é verdade – ou não – que o Governo utiliza o Censo para esse fim, não é possível afirmar.
No entanto, é certo que os números do IBGE estão longe da realidade, pelo menos aos olhos das pessoas..
Postado Por:Daniel Filho de Jesus
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