
A CPI da Petrobras do Senado aprovou ontem plano de trabalho, que inclui investigações sobre a construção do Porto de Suape, em Pernambuco. Apesar de o Supremo Tribunal Federal ter negado a inclusão do tema para ser investigado pela comissão de inquérito, o relator da comissão, senador José Pimentel (PT-CE), dedicou um capítulo da investigação para a refinaria de Abreu e Lima (PE), inclusive a interligação com o porto.
Com isso, o governo pode desgastar o ex-governador Eduardo Campos (PSB-PE), provável adversário da presidente Dilma Rousseff (PT) nas eleições, e que comandava o Estado durante a construção do sistema de interligação do porto com a refinaria.
Para Pimentel, o tema não contraria a decisão do STF porque, na liminar, a ministra Carmen Lúcia permite que “temas conexos” com os da Petrobras sejam investigados. “O que ela disse é que as matérias conexas poderão ser investigadas no curso da comissão. Aqui é uma CPI técnica, não política. Eu não saio um milímetro da decisão (da ministra)”, disse. O relator afirma, no plano de trabalho, que haveria “sobrepreço superior a R$ 69 milhões” nas obras de Abreu e Lima. Pimentel diz ainda que a CPI vai “fundo nas investigações”, mas sem “disputas políticas de natureza eleitoral”.
Os primeiros a serem ouvidos pela CPI serão a presidente da Petrobras, Graça Foster, e o ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli. As audiências foram marcadas para a semana que vem, dia 20 e 22, respectivamente.
A oposição boicotou a comissão do Senado e não indicou ninguém para três vagas reservadas ao DEM e PSDB. Apenas Cyro Miranda (PSDB-GO), indicado para a CPI, prometeu participar como “observador”. Os oposicionistas defendem a CPI mista da Petrobras, com deputados e senadores, que só deve começar a funcionar em duas semanas.
Postado Por:Daniel Filho de Jesus
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