Os trabalhadores admitidos estão sendo contratados por um salário inferior ao que era pago aos trabalhadores demitidos. Essa diferença tirou da economia R$ 854 milhões nos 12 meses encerrados em junho. O cálculo tem como base o saldo líquido entre os salários de admissão e de desligamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foi feito pela MB Associados. "É como se fosse R$ 1 bilhão a menos disponível para consumo", disse Sergio Vale, economista-chefe da consultoria.A indústria é o setor que mais tem contribuído para a retirada de dinheiro da economia. Nos últimos 12 meses, a massa salarial vinda das empresas do setor caiu R$ 389 milhões. Na sequência, as maiores perdas foram na construção (R$ 198 milhões), comércio (R$ 100 milhões), serviços (R$ 87 milhões) e agropecuária (R$ 79 milhões).
O saldo líquido entre os salários dos trabalhadores admitidos em relação aos desligados em 12 meses começou a ficar negativo em maio do ano passado. E, desde então, a diferença tem crescido - em maio deste ano, foi de R$ 832 milhões.
Essa perda de massa de renda deve impactar ainda mais o desempenho do consumo, que teve de trocar o forte crescimento dos últimos anos por uma alta mais modesta em 2013.
Serviços
O desempenho do mercado de trabalho vai ser fundamental para a retomada do setor de serviços e dos outros setores da economia. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o emprego deve continuar crescendo no Brasil, mas em ritmo menor.
"O Brasil estava com um mercado de trabalho superaquecido e isso se refletia no aumento dos salários. O País deve caminhar para uma situação mais equilibrada e fica a expectativa do que deve ocorrer com a economia a partir de 2015", disse Eduardo Zylberstajn, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Para ele, haverá aumento do desemprego no "curto e médio prazos".
Na avaliação do economista-chefe da MB Associados, o saldo de contratação "pode estacionar em números baixos como vimos em 2003 e ficar baixo durante um bom tempo". Em 2003, o País criou 645,5 mil vagas. No ano passado, esse número foi de 1,3 milhão.
Trabalhador mais velho
Por conta desse ritmo menor do mercado de trabalho, as vagas de emprego com carteira assinada para os trabalhadores mais velhos e com baixa escolaridade estão sendo fechadas. As empresas estão diminuindo as ofertas para esses grupos por considerá-los pouco produtivos.
Os dados do Caged mostram que os desligamentos superaram as admissões em 260 mil postos entre os brasileiros com mais de 40 anos nos últimos 12 meses encerrados em junho, segundo recorte feito por Zylberstajn - a queda acumulada já vem se repetindo há alguns meses.
Formação
Por nível de escolaridade, foram fechados 275 mil postos para os trabalhadores que só cursaram até o Ensino Fundamental. No grupo dos que chegaram ao Ensino Médio, foram abertos quase 890 mil postos .
"Depois do boom de 2010, a desaceleração econômica que vem desde 2011 está começando a afetar o mercado de trabalho. Nesse caso, as empresas deixam de contratar os trabalhadores que são considerados menos produtivos: os mais velhos e os menos escolarizados", afirmou Zylberstajn. "Para quem ainda é jovem e tem boa formação, o emprego cresce, mas também num ritmo menor do que já foi".
Postado Por:Daniel Filho de Jesus
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